segunda-feira, 28 de abril de 2008

A LUZ


Não se pode prever.
Sucede sempre quando menos o esperas.
Pode acontecer que vás pela rua, depressa, porque se faz tarde para pôr uma carta no correio, ou que te encontres em casa de noite, a ler um livro que não consegue convencer-te; pode acontecer também que seja verão e te tenhas sentado na esplanada de um café, ou seja inverno e chova e te doam os ossos; que estejas triste ou fatigado, que tenhas trinta anos ou sessenta.
É imprevisível.
Nunca sabes quando nem como ocorrerá.

Decorre tua vida igual a ontem, comum e quotidiana.
«Um dia mais», dizes para ti.
E de súbito desata-se uma luz poderosíssima dentro de ti e deixas de ser o homem que eras há só um momento.
O mundo, agora, é para ti diferente.
Dilata-se magicamente o tempo, como naqueles dias tão longos da infância e respiras à margem de seu escuro fluir e seu estrago.

Pradarias do presente, por onde erras livre de cuidados e culpas.
Uma agudeza insólita mora em teu ser: tudo está claro, tudo ocupa o seu lugar, tudo coincide e tu, sem luta, compreende-lo.

Talvez dure um instante o milagre; depois as coisas voltam a ser como eram antes que essa luz te desse tanta verdade, tanta misericórdia.
Mas sentes-te calmo, puro, feliz, salvo, cheio de gratidão.
E cantas, cantas.

segunda-feira, 14 de abril de 2008


que dirias hoje
se soubesses que amanhã
não estou cá
que em mais nenhum amanhã
eu vou estar cá
sim, que me dirias?
...hoje...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A FABULOSA FALA DOS "F's"

"Um homem chega ao restaurante, senta-se e, acenando com o braço e diz:

- Faz favor: frango frito, favas, farinheira...
- Acompanhado com quê?
- Feijão.
- Deseja beber alguma coisa?
- Fanta fresca.
- Um pãozinho antes da refeição?
- Fatias fininhas.

O empregado anota o pedido, já meio intrigado: "o tipo fala tudo com F's!"
Depois do homem terminar a refeição, o empregado pergunta-lhe:

- Vai querer sobremesa?
- Fruta.
- Tem alguma preferência?
- Figos

- Depois da sobremesa, o empregado:

- Deseja um café?
- Forte. Fervendo.

Quando o cliente termina o café:

- Então, como estava o cafézinho?
- Frio, fraco. Faltou filtrar formiguinha flutuando.

Aí o empregado pensa: "Vamos ver até aonde é que ele vai".

- Como é que o senhor se chama?
- Fernando Fagundes Faria Filho.
- De onde vem?
- Faro.
- Trabalha?
- Fui ferreiro.
- Deixou o emprego?
- Fui forçado.
- Por quê?
- Faltou ferro.
- E o que é que fazia?
- Ferrolhos, ferraduras, facas... ferragens.
- Tem um clube favorito?
- Fui Famalicense.
- E deixou de ser porquê?
- Futebol feio , farta.
- Qual é o seu clube, agora?
- Farense.
- O senhor é casado?
- Fui.
- E sua esposa?
- Faleceu.
- De quê?
- Foram furúnculos, frieiras... ficou fraquinha... finou-se.

O empregado de mesa perde a calma:

- Olhe! Se você disser mais 10 palavras começadas com a letra F... não paga a conta. Pronto!
- Formidável, fantástico. Foi fácil ficar freguês falando frases fixes.

O homem levanta-se e dirige-se para a saída, enquanto o empregado ainda lança:

- Espere aí! Ainda falta uma!

O homem responde, sem se virar:

- Faltava."

segunda-feira, 31 de março de 2008

O menor Conto de Fadas do Mundo


Era uma vez um rapaz que pediu a uma linda rapariga:

- Queres casar comigo?

Ela respondeu:

- NÃO!

E o rapaz viveu feliz para sempre, foi pescar, jogou futebol, conheceu muitas raparigas, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobilou a sua casa, sempre estava a sorrir e de bom humor, nunca lhe faltava dinheiro, bebia cerveja com os amigos sempre que estava com vontade e ninguém mandava nele.

A moça teve celulite, varizes, os peitos caíram, o rabo murchou e ficou sozinha.

FIM

sexta-feira, 28 de março de 2008


(...)
Ide... tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura:
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios!

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe,
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga:"vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!

quinta-feira, 13 de março de 2008


Que delícia!
Não resisto a partilhar com todos esta definição do que é uma avó, redigida por uma menina de 8 anos.
Definição de avó:
“Uma avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem “Despacha-te”. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes
Quando nos contam histórias nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes.
As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes que nós.
Toda a gente deve fazer o possível para ter uma avó, sobretudo se não tiver televisão.
Palavras para quê? Só mesmo uma criança consegue ver com o coração e tornar o mais complicado no mais simples prosaico.
Nem que seja para explicar a nós adultos como esses olhos vêm uma avó!

segunda-feira, 10 de março de 2008


Há muitos anos, caminhava eu rumo ao abismo,
Quando a doce voz de um anjo me chamou!
Olhei para trás, sorri…
E não caí!

Os anos passaram, o tempo girou…
E mais uma vez de mim o abismo se aproximou.
Caminhava, caminhava… e estando quase a cair,
A mão do anjo me salvou!
Olhei para trás e quando o vi…
Não caí!

Esse anjo, quem era ele?
Esse anjo enviado a meu redor.
Esse anjo que sempre me amou,
E das trevas me salvou…
Esse anjo… foste sempre tu… meu amor!