segunda-feira, 8 de outubro de 2007


Longas são as noites de insónia!
As horas passam lentas, e nunca mais amanhece. Meia-noite. Pego no meu livro de cabeceira e espero que a qualquer momento ele me escorregue das mãos como habitualmente. É o sinal para o poisar de mansinho e com gestos lentos, apagar a luz. Mas não desta vez. As páginas sucedem-se a um ritmo regular ao qual não vejo o fim. Paro a leitura por momentos e fecho os olhos. Sabe-me bem este silêncio.
Veste-me como um manto e deixa-me em paz. Mas o sono não me vence.
Leio mais um pouco. Quando deito os olhos ao relógio, já marca quase a
uma da manhã.Decido apagar a luz. Tento relaxar e dormir mas apenas dou voltas e mais voltas na cama. Irrito-me. Penso que devia levantar-me e tomar qualquer coisa para dormir. Mas realmente não gosto de o fazer. Acendo a luz de novo e vejo as horas mais uma vez. Duas da manhã. Pego de novo no livro e leio mais umas páginas. Desta vez não está a resultar. Levanto-me e vou até à janela. Não há vivalma nas ruas. Até o movimento de carros é quase nulo. O céu está limpo e as estrelas brilham, pequeninas.
Três da manhã agora. Corro a cama de uma ponta à outra à procura de um sítio mais fresco.Tudo me vem à cabeça. O passado e o presente. O futuro. Estou tão irritado!Desisto pronto! Não tenho sono, o que hei-de fazer? Ficar para ali quietinho à espera que amanheça. Momentos depois – pareceram-me apenas uns minutos – abro os olhos e já clareia. Quase sete da manhã. Afinal sempre consegui dormir um pouco. Ufa!