sexta-feira, 7 de dezembro de 2007


Se soubesses como tenho, tantas vezes, vontade de te pegar no colo, e dizer-te que vou estar sempre por aqui para que nada de mal te aconteça... Rir-te-ias eu sei... Dirias de imediato: " HO mãe, deixa-te de disparates. Eu já quase nem caibo no teu colo!"
Cabes, filha! Vais caber sempre no meu colo!
Acredita... tenho um regaço do tamanho do mundo... mesmo ao teu tamanho! Um regaço onde haverá sempre espaço para as tuas gargalhadas ou para as tuas lágrimas...
Um regaço que se transformara na noite, para que descanses, ou no dia, para que saibas o sabor do sol...
Porque te digo estas coisas agora, saídas do nada?
Sei lá!... Porque me sentei um pouco nos degraus do tempo e voltei a ti no meu colo... voltei aos dias do teu primeiro sorriso, da tua primeira carícia, do teu primeiro choro sentido, da tua primeira gargalhada a sério, dos teus primeiros passos, dos teus primeiros medos, dos teus primeiros sonhos...
Porque de repente senti medo que o mundo te magoe...
Senti o movimento das horas no crescer dos teus cabelos, nas roupas que não cresciam contigo, na tua vontade de usar os meus sapatos de salto, nas palavras que nasciam dos teus lábios - cada vez mais complexas - no formar das frases cada vez com mais sentido, no desabrochar de temas que faziam nascer nos teus olhos um brilho cada vez maior... Senti, filha!
E de repente dei-me conta que já quase não cabes no meu colo... e fiquei com medo que lhe esquecesses o gosto...
São disparates... eu sei! Mas que queres? Eu sou mãe...
Um beijo do tamanho deste colo....

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


Vem cá senta-te aí
ah não repares nesta confusão...
são restos desgarrados dos meus eus
espalhados a esmo pelo chão
falaram-me de ti...
que eras deus um deus primeiro,
a entidade imensa e é esse afinal o meu receio...
acreditar ?
mas se eu creio que não creio...
talvez uma ternura densa
talvez um sol filtrado a nevoeiro
quem sabe a ausência de alguém
que prometeu voltar e que não veio
é bom estar aqui contigo...
o quê? já vais embora?
mas há tanta coisa ainda para falar, amigo...
- conversa com um deus em que não creio -

quarta-feira, 28 de novembro de 2007


Como toda boa história, a nossa começa assim ... Era uma vez um lindo cavalo, verdadeiro puro sangue que vivia a encantar a todos moradores de uma região. Era doce e selvagem ao mesmo tempo, verdadeiro campeão.
Um dia , campeando pela fazenda veio a cair num buraco profundo.
Todos os moradores da fazenda correram a socorrê-lo . Fizeram várias tentativas, mas todas inúteis. O buraco era estreito e não tinha como descer e ajudar o cavalo que permanecia vivo, na profundeza do buraco. Foram inúmeras as tentativas, mas nada de salvar o cavalo. Depois de algum tempo, vendo que nada conseguiam, resolveram sacrificá-lo, já que não havia como tirá-lo daquela armadilha..
Um deles sugeriu de jogar terra em cima dele, já que estava dentro de um buraco....enterrando por lá mesmo. A sugestão foi prontamente aprovada ... mãos a obra !
Todos em posse de pá, começaram a jogar terra buraco abaixo. Essa caindo em cima do dorso do cavalo, o mesmo estremecia fazendo que a terra caísse entre suas patas. E logo ele começava a pisar essa terra nova fazendo um novo piso ... e assim foi , até que toda terra jogada dentro do buraco, foi aos poucos subindo o cavalo ! E para surpresa geral dos homens que a beira do buraco jogavam terra imaginando que o enterravam , o puro sangue conseguiu sair, livrando-se daquela prisão !
Quantas vezes estamos inteiramente perdidos dentro de buracos espirituais, buracos de doenças, buracos financeiros, buracos de sentimentos, etc... e que não vemos saída e nem mesmo os que nos cercam, vêem saída, dando-nos por " mortos" . Essa terra que salvou o cavalo, vindo do céu, representa a Mão de Deus , sempre pronto a nos ajudar bastando; primeiro; que queiramos e segundo , crer que Ele é o único que está sempre pronto a nos ajudar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007


E o homem olhou em redor
E a todas as coisas deu um nome
E às que não entendia chamou deus.
E os deuses eram muitos e o homem era um.
E o homem soube das coisas
E todas as coisas entendia
Excepto o homem.
E o homem era muitos e deus era só um.
Não fora o medo do escuro
Dentro e fora do homem
Não fora o medo do nada
E deus não existiria.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007


Sim eu costumava ser um Anjo da Guarda, tinha asas e me vestia de branco, ainda sou um anjo no fundo do meu coração e no meu olhar, mas não tenho mais asas, eu cometi o maior erro que um anjo pode cometer, se apaixonar pela pessoa para a qual fui designado a proteger, para ajudar completar seu destino na terra e Deus me castigou, agora sou um anjo caído na terra e me tornei mortal como todos vocês. É tão difícil ser um mortal, mas confesso a vocês que o amor é o sentimento mais forte e nobre que um coração pode sentir, seja ele de um simples mortal ou mesmo de um Anjo. O amor me fez cair dos Céus, o amor me fez sentir dor, fome, tristeza, solidão e mesmo assim o amor me fez pertencer a algo maior que qualquer dor, o amor me fez ser um apaixonado e para um apaixonado não há dor que não possa ser superada. Meus outros amigos anjos me avisaram que o nosso amor pelos mortais jamais deveria ultrapassar a fronteira da compaixão e da solidariedade, deveríamos olhar por eles, ser aquela voz que fala ao coração, deveríamos ser a proteção e o ombro amigo, mas nunca, jamais deveríamos amar, sentir o amor dos mortais por eles mesmos, porque o amor de um mortal, pode ser mortal para um anjo.... Agora estou aqui perdido , perdi todas as coisas que tinha, até o meu amor, mas mesmo assim valeu a pena, Ontem eu tive um amor, hoje não tenho mais. Talvez o tenha perdido por amá-lo demais, Eu amo alguém que jamais será meu, mas eu continuo amando a quem o destino me deu,Tudo que é bom, dura o tempo necessário para que seja inesquecível....

quarta-feira, 14 de novembro de 2007


Descia a avenida em silêncio...
A chuva caía sobre o meu rosto como lágrimas...
As pessoas quase se esbarravam, ignorando o mundo em volta!
Talvez fosse Inverno, não me recordo,
Ou talvez não...
Talvez apenas um daqueles dias em que o sorriso ilumina a alma
Mas que a razão não deixa ver!
Continuei o meu caminho, já não sei qual era o destino...
Olhava e nada via,
Como se trouxesse os olhos vendados,
Como se estes se negassem por si a querer ver!
Era estranho, mas eu não conseguia evitar!
Sentia um frio que me consumia,
Que me gelava a alma,
Que me impedia de raciocinar!
Parecia que estava num sonho obscuro
Daqueles em que, mesmo a dormir,
Sabemos não ser real!
A luz era escassa… Talvez fosse noite, ou não...
O relógio parecia ter parado...
Finalmente cheguei!
Onde? Não sei...!
Estava agora sentado e olhava lá para fora.
Talvez tivesse sido lá que eu tinha ficado,
Talvez ainda continuasse à chuva,
Talvez ainda estivesse a cruzar-me aqui e ali
Com quem quase me trespassava.
Mas não, eu permanecia lá dentro!
Estava escuro na mesma e eu não sabia como encontrar a luz
Talvez se procurasse melhor!
Caminhei...
Deixei de ter medo e fui em frente…
As minhas pernas ainda o negavam, mas eu insisti!
O meu rosto ainda sentia as lágrimas do céu,
Mas eu estava em casa, como podia ser?...
Decidi não procurar resposta, talvez fosse melhor assim...
Agora queria encontrar a luz!
Continuei a caminhar, mais e mais,
Com mais velocidade... Corri...
Estava cansado...
Uma porta… Eu estava a ver uma porta...!
Onde estaria eu? Não era relevante!
Decidi abrir...
E de repente… A luz!!!!!!
Era o sol que brilhava... saí...
Estava quente...
As pessoas riam e conversavam,
As crianças brincavam, inquietas
Uma música de alegre desassossego parecia convidar-me a dançar!
Estranho… Eu estava a sorrir!
Sorria feliz… e não sabia porquê!
Conseguia ouvir o mar a estalar sobre as rochas...
Avancei… estava a vê-lo agora...
Caía docemente sobre a areia!
Como era grandioso e imenso!
Sentei-me e fechei os olhos... Estaria a sonhar?
Fiquei alguns minutos simplesmente a ouvir,
A sentir e a assimilar todo aquele paraíso
Que a minha escolha de avançar me oferecera...
Resolvi levantar-me… Tinha de perceber se estava a sonhar!
Abri os olhos...
Tudo era ainda mais belo e perfeito!
Olhei para o lado...
Lá estavas TU...!
Compreendi então porque se tinha transformado o mundo!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007