sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


Há horas na vida, em que é inevitável
Parar e analisar o mundo, as pessoas que nos cercam

E de repente vem a sensação
De estar um pouco só, de se sentir um louco
Em meio a uma multidão.

Mas sabe,

O que é ser louco
Num mundo dito tão normal,
Mas tão cheio de conflitos,
De tristezas e egoísmo?

Um mundo que ainda valoriza tanto o ter,
E tão pouco o ser.

Um mundo que planeja e projecta tanto o amanhã
Que acaba esquecendo do agora.

Um mundo que mata e que não é feliz,
Que não sorri, que tem pressa de crescer,
Que se esqueceu de apreciar estrelas
E de celebrar um novo dia.

De repente,

Ser louco parece fascinante, nos permite ousar sermos livres
E pensar com mais pureza, acreditar no impossível
E fazer real aquilo, em que ninguém acredita.

Ser louco nos alforria da sensatez total
Da vida de escritório, das algemas da mentira
Da prisão da inveja.

Ser louco nos permite ser criança até quando quisermos,
Distribuir sorrisos num dia de chuva e se lambuzar com chocolate

Afinal aos loucos tudo é permitido.

Enquanto os sãos morrem de amor,
Os loucos vão vivendo dele,

Enquanto o mundo normal corre atrás do dinheiro,
Nós loucos perseguimos a felicidade,

Enquanto os sãos fazem guerra,
Nós lutamos alucinadamente pela paz,

Onde os sãos se desesperam,
Nós loucos sabemos esperar,

Quando o mundo desiste,
Nós permanecemos loucos de amor.

Ser normal pode ser conveniente,
Mas ser louco é ser muito mais feliz.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008


Há muito tempo que não te escrevo, que não escrevo, que não me escrevo.
Ficam-me todas as palavras a bailar na língua mas não sai um único som.
Uma única linha, lembro-me do lodo ao sol... que seca.
Sei lá porque me lembrei do lodo agora!
Nem um único som destes meus lábios que só dizem o teu nome baixinho, num murmúrio, durante o dia, enquanto trabalho, enquanto falo com os outros, enquanto estou calado, enquanto durmo até.
O teu nome, sempre o teu nome, como uma prece, dito baixinho, tão baixo que só o meu coração sabe que te chamo.
E descobri que não sei gritar, não sei gritar uma dor, não sei gritar os gritos que me andam presos na garganta, e fecho os olhos e vejo os teus olhos secos, secos de dores engolidas, e também os meus olhos secam.
E eu, eu já não te escrevo, já não me (d)escrevo há tanto tempo, e seco, como o lodo, sim, o lodo é um bom exemplo.
O meu peito que já não arde, não dói, não pede, não reclama, não nada, não tudo, só aceita, e já não escrevo porque só sei escrever com alma.
E tu sabes, eu sei, não trago a alma comigo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


Vives na sombra da noite, escondido de toda a luz
que possa quebrar o teu encanto, seduzes as tuas vítimas
com o teu olhar poderoso, com esse teu jeito maldoso
derretes o gelo cortante da noite, com as tuas palavras ardentes
enceideias nas suas veias, toda a maldade e pecado
que possa existir dentro delas, apagas de vez o sorriso inocente
para dar lugar a alguém como tu
Estranho, Sedutor, Maquiavélico
Alguém que domina o mundo, apenas no silêncio da noite
Alguém que conquista, o mais puro coração
Com os teus dentes afiados
Tiras a vida humana, mas ofereces vida já morta
Vida que é consumida na noite
E apagada durante a noite
Enganas quem te pede vida imortal
Pois ela só é vida na escuridão das trevas....

domingo, 20 de janeiro de 2008


Fala-me de ti.
Conta-me pequenos segredos teus.
Quero entrar no teu peito com uma chave só minha
E percorrer caminhos nunca antes descobertos,
Caminhos apenas meus.
Prometo-te que não haverão mais despedidas.
Prometo ter cuidado com meus passos,
E não pisar as tuas feridas.
Vou caminhar em bicos dos pés,
E, pouco a pouco,
Desvendar tudo o que és.
Vou caminhar de pés descalços,
Sem medo, sem pudor,
Até não haver um pedaço de chão,
Nesse teu coração,
Que não conheça o meu amor.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008


...vou contar-te um segredo!
... conta amor...
... sabes que consigo ler na tua voz?
...assim como eu leio nos teus olhos?
...sim, da mesma forma que tu lês os meus olhos...
...então adivinhaste?
...acho que sim!
...huuuummmmm!!! e maissss??

domingo, 6 de janeiro de 2008


Não temas, não chores
porque quando cais do ninho
haverá uma mão, haverá um sorriso
que te afaga as penas, que te dá a tranquilidade
que precisas, te leva até à relva
até às árvores onde o céu é azul
e as minhocas mais gordas
onde aprendes a voar novamente e deixas de ter medo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008


Quem é que já não teve oportunidade de conhecer uma pessoa idosa, enferma, dependente, carente, solitária? Talvez você tenha essa pessoa dentro do seu próprio lar. Uma mãe ou um pai acautelado pela enfermidade ou pelas debilidades impostas pelo peso da idade. Esse alguém, que ontem era forte e dinâmico, agora se movimenta com lentidão e, às vezes, nem se movimenta, tornando-se totalmente dependente da vontade alheia. Se você tem uma mãe, um pai ou outro familiar nessas condições, pare um pouco; olhe nos olhos dessa pessoa e tente ler seus mais secretos pensamentos. Talvez você possa ler em seus olhos tristes ou em seus lábios mudos um apelo comovente, que não tem coragem de verbalizar. É, se pudéssemos ouvir o apelo de um idoso, talvez ele fosse mais ou menos assim: "Você, que está na flor da idade, considere que o despertar da vida é como o amanhecer. Tudo fica mais quente e mais alegre. "Mas o amanhecer não é eterno e a ele se sucedem outras fases do dia... "O meu apelo é para que as crianças de hoje não esqueçam dos seus idosos de amanhã. "É para que os mais jovens relevem a minha mão trémula e meu andar hesitante. Amparem-me por favor. "Se minha audição não é boa e tenho que me esforçar para ouvir o que você está dizendo, tenha compaixão. "Se minha visão é imperfeita e o meu entendimento é escasso, ajude-me com paciência. "Se minhas mãos tremem e derrubam tantas coisas no chão, por favor, não se irrite, tentei fazer o melhor que pude. "Se você me encontrar na rua, não faça de conta que não me viu; pare para conversar comigo; sinto-me tão só. "Se, na sua sensibilidade, me encontrar triste entre tantos que também estão, simplesmente partilhe um sorriso comigo e com eles. Seja solidário, eu necessito apenas de um pouco de carinho. "Se lhe contei pela terceira vez a mesma história, não me repreenda, simplesmente ouça-me. Se não falo coisa com coisa, não caçoe de mim. "Se estou doente e caminhando com dificuldade, não me abandone, preciso de um braço forte que ampare meus passos... "Sabe..., já vivi muitas primaveras, e sinto que o outono derradeiro se aproxima... "Eu sei que o ocaso da vida é como o entardecer. Indica que é chegado o momento de partir... "Por isso lhe peço que me perdoe se tenho medo da morte e ajude-me a aceitar o adeus... "Fique mais tempo comigo... Para me dar segurança... "Os cabelos brancos e as rugas em meu rosto não impedem que eu queira repousar minha cabeça num colo seguro... "Sei que o trem da vida logo irá parar nesta estação, e eu terei que embarcar... "Sei também que terei que ir só, como só desembarquei nesta estação um dia... "Por tudo isso eu lhe peço para que não me negue a sua atenção e o seu carinho. "Logo estarei deixando esta vestimenta surrada pelo tempo, e rumarei para outra dimensão da vida, da vida eterna... "Eis meu apelo... Que pode também ser o seu, logo mais..." O ocaso da vida é como o entardecer... Indica que é chegado o momento de partir... Mas, nem sempre a hora de partir se dá no entardecer... Há aqueles que retornam no mesmo trem que chegam. Há os que se demoram por aqui apenas algumas horas, dias, meses... A única certeza é que todos retornamos um dia para a pátria verdadeira, nesse trem da vida. Por essa razão, vale a pena viver intensamente cada minuto, dando à vida a importância que ela tem. E viver intensamente é enaltecer o tempo, no desenvolvimento das nobres virtudes que o Criador depositou na intimidade de cada filho Seu.