segunda-feira, 31 de março de 2008

O menor Conto de Fadas do Mundo


Era uma vez um rapaz que pediu a uma linda rapariga:

- Queres casar comigo?

Ela respondeu:

- NÃO!

E o rapaz viveu feliz para sempre, foi pescar, jogou futebol, conheceu muitas raparigas, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobilou a sua casa, sempre estava a sorrir e de bom humor, nunca lhe faltava dinheiro, bebia cerveja com os amigos sempre que estava com vontade e ninguém mandava nele.

A moça teve celulite, varizes, os peitos caíram, o rabo murchou e ficou sozinha.

FIM

sexta-feira, 28 de março de 2008


(...)
Ide... tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura:
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios!

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe,
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga:"vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!

quinta-feira, 13 de março de 2008


Que delícia!
Não resisto a partilhar com todos esta definição do que é uma avó, redigida por uma menina de 8 anos.
Definição de avó:
“Uma avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem “Despacha-te”. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes
Quando nos contam histórias nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes.
As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes que nós.
Toda a gente deve fazer o possível para ter uma avó, sobretudo se não tiver televisão.
Palavras para quê? Só mesmo uma criança consegue ver com o coração e tornar o mais complicado no mais simples prosaico.
Nem que seja para explicar a nós adultos como esses olhos vêm uma avó!

segunda-feira, 10 de março de 2008


Há muitos anos, caminhava eu rumo ao abismo,
Quando a doce voz de um anjo me chamou!
Olhei para trás, sorri…
E não caí!

Os anos passaram, o tempo girou…
E mais uma vez de mim o abismo se aproximou.
Caminhava, caminhava… e estando quase a cair,
A mão do anjo me salvou!
Olhei para trás e quando o vi…
Não caí!

Esse anjo, quem era ele?
Esse anjo enviado a meu redor.
Esse anjo que sempre me amou,
E das trevas me salvou…
Esse anjo… foste sempre tu… meu amor!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008


Se toda a gente recebesse um telefonema nocturno fora de horas uma vez de vez em quando, acho que haveria menos guerras no mundo. Um telefonema nocturno vale mais do que muitos telefonemas. É um telefonema que se faz só a quem se gosta mesmo, que se recebe só de quem se gosta mesmo. Quando toda a gente dorme nas suas camas, cabelos desgrenhados nas almofadas, respiração cadenciada, sonhos ao alto; outros sonhos são discutidos por um pequenino aparelho que, de madrugada, nos liga a um outro acordado da noite. Naquele momento de telefonema nocturno somos as pessoas mais especiais de sempre porque recebemos um telefonema fora de horas, porque estamos acordados e toda a gente dorme já, porque alguém se lembrou de sonhar essa noite connosco. Um telefonema nocturno vale mais do que mil palavras, vale mais do que todos os agradecimentos e pode restabelecer quase qualquer mundo, mesmo este que emudeceu por algumas semanas. Já não sei se o mundo acabou, se surgiu outro que agora se nos apresenta com telefonemas nocturnos, não sei se este é o mundo antigo a tentar redimir-se do susto de me fazer crer que ia acabar. Não sei! Afinal, sei muito pouco para quem queria anunciar o fim do mundo. Sei, isso sim, que um telefonema nocturno inesperado e fora de horas vale o tornar a acreditar que se calhar, apenas se calhar, mesmo quando os mundos acabam, que a vida pode continuar… se calhar é possível fazer melhor… Um telefonema nocturno fora de horas pode tomar várias formas para que o não reconheçamos à partida: pode ser uma visita inesperada, uma conversa com um amigo, uma carta no correio, uma mensagem, um desenho, um rabisco, um e-mail... Este post é um telefonema nocturno fora de horas camuflado. Obrigado a todos os telefonemas nocturnos fora de horas. Que este seja o telefonema nocturno fora de horas de quem quiser ver mais do que um “fim” na história deste mundo porque toda a gente devia ver um nascer do sol acompanhado e ouvir os pássaros lá fora, e eu escolhi a vossa companhia.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008


Emboscado, vou construir o lugar, uma cabeça onde as palavras comecem a rarear, uma confissão sem fôlego, um requisitório uma moribunda em tom de acusante.
Que esconderijo este, onde fica a porta onde estou, estás, o machado que cai sem cerimónias, mas já não é a minha voz a saber quem sou, onde estou, como fazer, não sei ir embora, encontrar as portas, os machados, o pescoço para a corda, os dedos, terei olhos, haverá silêncio e o corpo a cair em picos de cor, e a voz que desiste e não volta a tentar, a tentar o quê?
Não importa, talvez seja a porta, sejas a porta, talvez seja eu, fui eu, foste tu, sei lá o que fomos,vou acordar eu sei que nunca mais vou acordar, por isso tenho de continuar, é tudo o que sei, dizer as palavras enquanto as houver, enquanto as tiver, talvez já tenha acontecido talvez esteja sempre a acontecer, não nunca aconteceu porque nunca acontece, mas tenho de saber, tenho de continuar, já sei, não posso continuar, vou continuar...
Sem continuar a sabê-lo, como o tempo do qual não percebo, mas falo como se o soubesse, digo nunca e digo sempre, falo das estações e das partes do dia e da noite a noite não tem partes à noite as pessoas dormem num calor estranho sem imagens, são palavras apenas neutras, azuis, que aparecem para o meu precisar, num grito pungente em pancadas na boca e no ouvido.
O céu é azul, riscado em fogo de asas abertas.
E vou estar ao pé de mim mas sem palavras para estar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


Reparo que os anjos não descem à cidade
Limitam-se a pairar sobre o rio
Para sentir no corpo a fresca evaporação
Das águas nocturnas
Ignorando o crustáceo de gelo cravado no tórax
Observando apenas ao longe
Todo o rebuliço das gentes
E até dos insectos
Ocasionalmente tocam um ombro
E acalmam-no

ACALMAM-NO

De que vale um ombro calmo?
A respiração de um anjo embriagado?
O gelo crustáceo que de tão fino
Estala e quebra
Ainda não me começaram a crescer
Asas nas costas na verdade
Acho que nunca crescerão