sexta-feira, 3 de outubro de 2008


" Não pensava em nada, olhei para o alto e vi contornos de asas...eram anjos?! ...
Eram seres mágicos sem dúvida, mas sem nome aparente.
Não quis perguntar o que eram, também não acharia piada se me tivessem perguntado o que sou.
Sinceramente não saberia responder, sou tanta coisa, tenho tantas características diferentes que seriam difíceis de explicar.
Parece-me que está aí a génese dos problemas das pessoas, o facto de ter de se explicar tudo o que se vê, se pensa ou se sente.
Olharam para mim, não me disseram nada...não me tocaram, mas o olhar foi tão intenso que me fez sentir bem, iam-me lendo a alma e eu via-a passar em frente dos meus olhos. Pelo seu aspecto já tinha sido um pouco maltratada mas estava luminosa e viva, tinha o sabor dos bons momentos e a alegria de ter superado os maus.
Girou á minha volta, mostrou-me o que precisava ver e voltou para mim ...suspirei... olhei para cima e já só via contornos de asas, tinha os olhos encandeados do sol.
Poderia dizer que nunca mais os vi, mas sinto o seu olhar em todos os momentos
Não sei se eram anjos, mas eram mágicos"

segunda-feira, 15 de setembro de 2008


"São os passos que damos que nos fazem o caminho", foi o que ele disse quando lhe abri a porta. Não estava à espera de o ver e foi com absoluto encanto que o recebi.
Entrou em casa e não se quis sentar, pegou na minha mão e levou-me a correr até ao rio.
Águas calmas...Relva verde e macia...Dia limpo e solarengo... E uma leve brisa que parecia levar todos os nossos receios.
"Olha para mim." disse ele. Achei estranho aquele pedido porque olhar para ele era coisa que não tinha parado de fazer desde que o vira entrar em minha casa.
"Olha para mim...Não olhes para o que queres ver", foi nessa altura que percebi o pedido.
Olhei...fechei os olhos e abri o coração...e olhei...
Vi o mundo! O que antes era um homem desprovido de asas, vestido com um manto e com um sorriso brilhante, era agora "um tudo". Era um misto de alegrias e de mágoas, de verdade e de mentira, de luz e de escuridão.
Vi o seu profundo ser, conheci aquilo que as pessoas tentam esconder com medo de serem fracas...com medo que as inferiorizem...com medo que não as aceitem por conhecerem os seus dois lados.
Quis que ele conhecesse os meus e pedi-lhe que olha-se para mim, ele olhou-me nos olhos e disse "Eu ja conheço esse lado foi por isso que voltei"
Ninguém tem de ter vergonha do que é nem do que foi, é isso que nos torna gente. É através deste exercicio que sabemos quem está disposto a aceitar-nos e é por essas pessoas que não devemos ter medo. Porque apesar de tudo ainda há pessoas pelas quais vale apena lutar.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

SPORTINGUISMO


Existem comentários que merecem passar a post e este é um deles.
Por toda a lucidez e paixão que encerra.
Porque define na perfeição o que é ser do Sporting.
Fica aqui o comentário desse grande sportinguista que assina SH.

“ Não acredito neste futebol português, não acredito no senhor presidente da liga com as suas teorias e as suas mentirinhas, não acredito nos árbitros que prejudicam cada vez mais os mesmos, não acredito no jornalismo de medo e de vermelho que está implantado nos principais jornais desportivos.
Pois é ninguém me pode obrigar a acreditar, não sou dos clubes do sistema, nunca comi daquela gamela e nunca me importei de perder quando os adversários são realmente melhores ou quando simplesmente tiveram mais sorte.
O meu clube não é o maior, mas o que interessa ser de um clube maior, quando o que faz esse clube ser o maior não são os seus adeptos, não são suas conquistas, não são os seus recordes mas sim as suas batotas, as suas influências mafiosas e as violações constantes das regras vigentes.
O meu clube não vende muitas Gameboxes, mas as que vende são verdadeiras, para assistir a espectáculos de verdade, puros de desportivismo e festa e os que são do meu clube e vão ao estádio não são enganados, sofrem, gritam, aplaudem, choram, mas ficam muito mais felizes quando se ganha que qualquer outro adepto porque sabe que aquela vitória é honrada, suada e conquistada com a humildade e vontade dos nossos briosos atletas.
O meu clube também erra, e quando isso acontece é castigado, mas no meu clube os castigos são para cumprir, atletas anos sem jogar, multas sem fim, dirigentes e treinadores castigados ao mais pequeno deslize, tudo se cumpriu, nada se violou, a lei foi escrupulosamente aplicada, mesmo que o próximo jogo fosse um dérbi, afinal era um jogo como os outros, para nós, os do meu clube.
Mas o meu clube é muito mais do que um simples fora de jogo mal tirado, um golo mal anulado, uma grande penalidade mal assinalada, isso ao pé do meu clube são simples vulgaridades que estamos habituados a ver e até a aceitar.
Eu adoro o meu clube porque é um clube diferente, que me deixa realizado, que me dá orgulho, que completa a minha personalidade, que aumenta a minha auto estima, que me transmite valores e que me desafia todos os dias a ser um homem melhor. O MEU CLUBE É O SPORTING.”SH

terça-feira, 2 de setembro de 2008

LIBERDADE


Nunca soube aceitar bem um não....acho que nunca lidei bem com eles.

Não falo daquele não do tipo " Não comas chocolates nem pastilhas, olha que fazem mal aos dentes", quer dizer esses chateiam e nós acabamos por comer...Espera , afinal também não lidava bem com estes...


Mas estes "nãos" que eu falo são aqueles que não nos deixam hipótese de nos mexermos, de olharmos para o lado e dizer basta.... Não são os "nãos" que nos dizem, mas os "nãos" que se sentem, que se sentem mesmo quando há silêncio...que se sentem principalmente quando há silêncio. São aqueles que vieram do escuro, do nosso escuro e nos fazem parar de fazer coisas que deviamos. Estes que eu falo são a nossa auto-inquisição que nos queima mas não nos mata.



Ainda bem que não sei aceitar um NÃO, ainda bem que muita gente lida mal com os NÃOS da vida, porque enquanto não aceitarmos aquilo que nos reprime seremos realmente livres e donos da nossa felicidade.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

DEDO NO GATILHO


Com a arma na mão,
O dedo no gatilho…
A vida passa-te a correr na mente.
Todos os momentos por ti vividos atropelam-se…
Uns nos outros!
O que fazer?
As mãos tremem-te,
Os dedos ficam petrificados,
O teu corpo gela.
Os teus olhos brilham,
Não sei se de raiva, se de incerteza…
Para ti o tempo parece que parou!
Continuas com o dedo no gatilho
E as lágrimas correm-te pela face!
Disparas ou não disparas?
A tua dúvida enche-me de receio!
Um anjo desce à Terra e somente diz:
- Dispara! A arma do amor não é para ficar imóvel! Dispara!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008


Há coisas que pensamos e que nunca sabemos como as exprimir.
E às vezes nem é preciso, para quem saber ler o olhar, a distância, o frio da alma.
Há coisas que sentimos e que preferimos ignorar, e então, vamos deixando que elas nos esmaguem enquanto as tentamos estranhar dentro de nós sem saber muito bem como o fazer, como uma infecção nos atacasse o corpo.
Mas há coisas que não podemos deixar de dizer, nem deixar morrer.
Há coisas gritantes à espera de uma simples oportunidade.
Há certezas que não devemos esconder, nem de nós nem dos outros.
Já chega o castigo de uma vida de vazios.
E eu quero que tu saibas que o melhor de mim, não é meu.
É nosso.
É tão nosso como o tempo que não temos um para o outro. Tão nosso como a dor da distância. Tão nosso como o amor que nos une, talvez para sempre.
Que para além deste “nosso”, resta muito pouco de um todo, transformado num aglomerado de nadas que tento colmatar com coisas “comuns”. E sorrio, com uma vontade aparente.
Até quando isto…
Até quando este desassossego…
Até quando vou preferir a hora de sono ao sol do dia…
Até quando continuar a caminhada sem saber para onde vou…
Eu, que nunca fui pessoa de me iludir com nada nem com ninguém, que nunca pedi impossíveis, hoje era capaz de pedir algo deste género:
Posso ser Feliz?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

HOJE É O MANO A FAZER ANOS


PARABÉNS VITOR

terça-feira, 22 de julho de 2008

OBRIGADO JOÃO


Tendo sido durante algumas épocas considerado um símbolo dos nossos maiores rivais - e no seguimento daqueles angustiantes 3-6, onde realizou uma exibição esplendorosa - confesso que não vi com muitos bons olhos ou grande entusiasmo o seu ingresso no nosso clube, na já remota pré-epoca de 2000/01.

No entanto, passados 7 anos, e depois de se ter sagrado campeão nacional e vencedor da Taça ao serviço das nossas cores, mesmo com passagens posteriores por Boavista e Braga, é da mais elementar justiça reconhecer que me rendi ao talento do nosso 'Grande Artista'.

João Vieira Pinto serviu o Sporting com grande profissionalismo, dedicação e entrega. Em momento algum criou problemas no balneário, colocou o seu enorme talento ao serviço do colectivo, nomeadamente em relação a Jardel, tendo mesmo sido um daqueles que procurou inverter a rota rumo ao abismo por parte do brasileiro, saíndo do clube sem pingo de ressentimento ou amargura.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

HOJE A MINHA MANA FAZ ANOS


PARABENS PAULA

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A LUZ


Não se pode prever.
Sucede sempre quando menos o esperas.
Pode acontecer que vás pela rua, depressa, porque se faz tarde para pôr uma carta no correio, ou que te encontres em casa de noite, a ler um livro que não consegue convencer-te; pode acontecer também que seja verão e te tenhas sentado na esplanada de um café, ou seja inverno e chova e te doam os ossos; que estejas triste ou fatigado, que tenhas trinta anos ou sessenta.
É imprevisível.
Nunca sabes quando nem como ocorrerá.

Decorre tua vida igual a ontem, comum e quotidiana.
«Um dia mais», dizes para ti.
E de súbito desata-se uma luz poderosíssima dentro de ti e deixas de ser o homem que eras há só um momento.
O mundo, agora, é para ti diferente.
Dilata-se magicamente o tempo, como naqueles dias tão longos da infância e respiras à margem de seu escuro fluir e seu estrago.

Pradarias do presente, por onde erras livre de cuidados e culpas.
Uma agudeza insólita mora em teu ser: tudo está claro, tudo ocupa o seu lugar, tudo coincide e tu, sem luta, compreende-lo.

Talvez dure um instante o milagre; depois as coisas voltam a ser como eram antes que essa luz te desse tanta verdade, tanta misericórdia.
Mas sentes-te calmo, puro, feliz, salvo, cheio de gratidão.
E cantas, cantas.

segunda-feira, 14 de abril de 2008


que dirias hoje
se soubesses que amanhã
não estou cá
que em mais nenhum amanhã
eu vou estar cá
sim, que me dirias?
...hoje...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A FABULOSA FALA DOS "F's"

"Um homem chega ao restaurante, senta-se e, acenando com o braço e diz:

- Faz favor: frango frito, favas, farinheira...
- Acompanhado com quê?
- Feijão.
- Deseja beber alguma coisa?
- Fanta fresca.
- Um pãozinho antes da refeição?
- Fatias fininhas.

O empregado anota o pedido, já meio intrigado: "o tipo fala tudo com F's!"
Depois do homem terminar a refeição, o empregado pergunta-lhe:

- Vai querer sobremesa?
- Fruta.
- Tem alguma preferência?
- Figos

- Depois da sobremesa, o empregado:

- Deseja um café?
- Forte. Fervendo.

Quando o cliente termina o café:

- Então, como estava o cafézinho?
- Frio, fraco. Faltou filtrar formiguinha flutuando.

Aí o empregado pensa: "Vamos ver até aonde é que ele vai".

- Como é que o senhor se chama?
- Fernando Fagundes Faria Filho.
- De onde vem?
- Faro.
- Trabalha?
- Fui ferreiro.
- Deixou o emprego?
- Fui forçado.
- Por quê?
- Faltou ferro.
- E o que é que fazia?
- Ferrolhos, ferraduras, facas... ferragens.
- Tem um clube favorito?
- Fui Famalicense.
- E deixou de ser porquê?
- Futebol feio , farta.
- Qual é o seu clube, agora?
- Farense.
- O senhor é casado?
- Fui.
- E sua esposa?
- Faleceu.
- De quê?
- Foram furúnculos, frieiras... ficou fraquinha... finou-se.

O empregado de mesa perde a calma:

- Olhe! Se você disser mais 10 palavras começadas com a letra F... não paga a conta. Pronto!
- Formidável, fantástico. Foi fácil ficar freguês falando frases fixes.

O homem levanta-se e dirige-se para a saída, enquanto o empregado ainda lança:

- Espere aí! Ainda falta uma!

O homem responde, sem se virar:

- Faltava."

segunda-feira, 31 de março de 2008

O menor Conto de Fadas do Mundo


Era uma vez um rapaz que pediu a uma linda rapariga:

- Queres casar comigo?

Ela respondeu:

- NÃO!

E o rapaz viveu feliz para sempre, foi pescar, jogou futebol, conheceu muitas raparigas, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobilou a sua casa, sempre estava a sorrir e de bom humor, nunca lhe faltava dinheiro, bebia cerveja com os amigos sempre que estava com vontade e ninguém mandava nele.

A moça teve celulite, varizes, os peitos caíram, o rabo murchou e ficou sozinha.

FIM

sexta-feira, 28 de março de 2008


(...)
Ide... tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura:
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios!

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe,
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga:"vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!

quinta-feira, 13 de março de 2008


Que delícia!
Não resisto a partilhar com todos esta definição do que é uma avó, redigida por uma menina de 8 anos.
Definição de avó:
“Uma avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem “Despacha-te”. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes
Quando nos contam histórias nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes.
As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes que nós.
Toda a gente deve fazer o possível para ter uma avó, sobretudo se não tiver televisão.
Palavras para quê? Só mesmo uma criança consegue ver com o coração e tornar o mais complicado no mais simples prosaico.
Nem que seja para explicar a nós adultos como esses olhos vêm uma avó!

segunda-feira, 10 de março de 2008


Há muitos anos, caminhava eu rumo ao abismo,
Quando a doce voz de um anjo me chamou!
Olhei para trás, sorri…
E não caí!

Os anos passaram, o tempo girou…
E mais uma vez de mim o abismo se aproximou.
Caminhava, caminhava… e estando quase a cair,
A mão do anjo me salvou!
Olhei para trás e quando o vi…
Não caí!

Esse anjo, quem era ele?
Esse anjo enviado a meu redor.
Esse anjo que sempre me amou,
E das trevas me salvou…
Esse anjo… foste sempre tu… meu amor!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008


Se toda a gente recebesse um telefonema nocturno fora de horas uma vez de vez em quando, acho que haveria menos guerras no mundo. Um telefonema nocturno vale mais do que muitos telefonemas. É um telefonema que se faz só a quem se gosta mesmo, que se recebe só de quem se gosta mesmo. Quando toda a gente dorme nas suas camas, cabelos desgrenhados nas almofadas, respiração cadenciada, sonhos ao alto; outros sonhos são discutidos por um pequenino aparelho que, de madrugada, nos liga a um outro acordado da noite. Naquele momento de telefonema nocturno somos as pessoas mais especiais de sempre porque recebemos um telefonema fora de horas, porque estamos acordados e toda a gente dorme já, porque alguém se lembrou de sonhar essa noite connosco. Um telefonema nocturno vale mais do que mil palavras, vale mais do que todos os agradecimentos e pode restabelecer quase qualquer mundo, mesmo este que emudeceu por algumas semanas. Já não sei se o mundo acabou, se surgiu outro que agora se nos apresenta com telefonemas nocturnos, não sei se este é o mundo antigo a tentar redimir-se do susto de me fazer crer que ia acabar. Não sei! Afinal, sei muito pouco para quem queria anunciar o fim do mundo. Sei, isso sim, que um telefonema nocturno inesperado e fora de horas vale o tornar a acreditar que se calhar, apenas se calhar, mesmo quando os mundos acabam, que a vida pode continuar… se calhar é possível fazer melhor… Um telefonema nocturno fora de horas pode tomar várias formas para que o não reconheçamos à partida: pode ser uma visita inesperada, uma conversa com um amigo, uma carta no correio, uma mensagem, um desenho, um rabisco, um e-mail... Este post é um telefonema nocturno fora de horas camuflado. Obrigado a todos os telefonemas nocturnos fora de horas. Que este seja o telefonema nocturno fora de horas de quem quiser ver mais do que um “fim” na história deste mundo porque toda a gente devia ver um nascer do sol acompanhado e ouvir os pássaros lá fora, e eu escolhi a vossa companhia.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008


Emboscado, vou construir o lugar, uma cabeça onde as palavras comecem a rarear, uma confissão sem fôlego, um requisitório uma moribunda em tom de acusante.
Que esconderijo este, onde fica a porta onde estou, estás, o machado que cai sem cerimónias, mas já não é a minha voz a saber quem sou, onde estou, como fazer, não sei ir embora, encontrar as portas, os machados, o pescoço para a corda, os dedos, terei olhos, haverá silêncio e o corpo a cair em picos de cor, e a voz que desiste e não volta a tentar, a tentar o quê?
Não importa, talvez seja a porta, sejas a porta, talvez seja eu, fui eu, foste tu, sei lá o que fomos,vou acordar eu sei que nunca mais vou acordar, por isso tenho de continuar, é tudo o que sei, dizer as palavras enquanto as houver, enquanto as tiver, talvez já tenha acontecido talvez esteja sempre a acontecer, não nunca aconteceu porque nunca acontece, mas tenho de saber, tenho de continuar, já sei, não posso continuar, vou continuar...
Sem continuar a sabê-lo, como o tempo do qual não percebo, mas falo como se o soubesse, digo nunca e digo sempre, falo das estações e das partes do dia e da noite a noite não tem partes à noite as pessoas dormem num calor estranho sem imagens, são palavras apenas neutras, azuis, que aparecem para o meu precisar, num grito pungente em pancadas na boca e no ouvido.
O céu é azul, riscado em fogo de asas abertas.
E vou estar ao pé de mim mas sem palavras para estar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


Reparo que os anjos não descem à cidade
Limitam-se a pairar sobre o rio
Para sentir no corpo a fresca evaporação
Das águas nocturnas
Ignorando o crustáceo de gelo cravado no tórax
Observando apenas ao longe
Todo o rebuliço das gentes
E até dos insectos
Ocasionalmente tocam um ombro
E acalmam-no

ACALMAM-NO

De que vale um ombro calmo?
A respiração de um anjo embriagado?
O gelo crustáceo que de tão fino
Estala e quebra
Ainda não me começaram a crescer
Asas nas costas na verdade
Acho que nunca crescerão

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


Há horas na vida, em que é inevitável
Parar e analisar o mundo, as pessoas que nos cercam

E de repente vem a sensação
De estar um pouco só, de se sentir um louco
Em meio a uma multidão.

Mas sabe,

O que é ser louco
Num mundo dito tão normal,
Mas tão cheio de conflitos,
De tristezas e egoísmo?

Um mundo que ainda valoriza tanto o ter,
E tão pouco o ser.

Um mundo que planeja e projecta tanto o amanhã
Que acaba esquecendo do agora.

Um mundo que mata e que não é feliz,
Que não sorri, que tem pressa de crescer,
Que se esqueceu de apreciar estrelas
E de celebrar um novo dia.

De repente,

Ser louco parece fascinante, nos permite ousar sermos livres
E pensar com mais pureza, acreditar no impossível
E fazer real aquilo, em que ninguém acredita.

Ser louco nos alforria da sensatez total
Da vida de escritório, das algemas da mentira
Da prisão da inveja.

Ser louco nos permite ser criança até quando quisermos,
Distribuir sorrisos num dia de chuva e se lambuzar com chocolate

Afinal aos loucos tudo é permitido.

Enquanto os sãos morrem de amor,
Os loucos vão vivendo dele,

Enquanto o mundo normal corre atrás do dinheiro,
Nós loucos perseguimos a felicidade,

Enquanto os sãos fazem guerra,
Nós lutamos alucinadamente pela paz,

Onde os sãos se desesperam,
Nós loucos sabemos esperar,

Quando o mundo desiste,
Nós permanecemos loucos de amor.

Ser normal pode ser conveniente,
Mas ser louco é ser muito mais feliz.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008


Há muito tempo que não te escrevo, que não escrevo, que não me escrevo.
Ficam-me todas as palavras a bailar na língua mas não sai um único som.
Uma única linha, lembro-me do lodo ao sol... que seca.
Sei lá porque me lembrei do lodo agora!
Nem um único som destes meus lábios que só dizem o teu nome baixinho, num murmúrio, durante o dia, enquanto trabalho, enquanto falo com os outros, enquanto estou calado, enquanto durmo até.
O teu nome, sempre o teu nome, como uma prece, dito baixinho, tão baixo que só o meu coração sabe que te chamo.
E descobri que não sei gritar, não sei gritar uma dor, não sei gritar os gritos que me andam presos na garganta, e fecho os olhos e vejo os teus olhos secos, secos de dores engolidas, e também os meus olhos secam.
E eu, eu já não te escrevo, já não me (d)escrevo há tanto tempo, e seco, como o lodo, sim, o lodo é um bom exemplo.
O meu peito que já não arde, não dói, não pede, não reclama, não nada, não tudo, só aceita, e já não escrevo porque só sei escrever com alma.
E tu sabes, eu sei, não trago a alma comigo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


Vives na sombra da noite, escondido de toda a luz
que possa quebrar o teu encanto, seduzes as tuas vítimas
com o teu olhar poderoso, com esse teu jeito maldoso
derretes o gelo cortante da noite, com as tuas palavras ardentes
enceideias nas suas veias, toda a maldade e pecado
que possa existir dentro delas, apagas de vez o sorriso inocente
para dar lugar a alguém como tu
Estranho, Sedutor, Maquiavélico
Alguém que domina o mundo, apenas no silêncio da noite
Alguém que conquista, o mais puro coração
Com os teus dentes afiados
Tiras a vida humana, mas ofereces vida já morta
Vida que é consumida na noite
E apagada durante a noite
Enganas quem te pede vida imortal
Pois ela só é vida na escuridão das trevas....

domingo, 20 de janeiro de 2008


Fala-me de ti.
Conta-me pequenos segredos teus.
Quero entrar no teu peito com uma chave só minha
E percorrer caminhos nunca antes descobertos,
Caminhos apenas meus.
Prometo-te que não haverão mais despedidas.
Prometo ter cuidado com meus passos,
E não pisar as tuas feridas.
Vou caminhar em bicos dos pés,
E, pouco a pouco,
Desvendar tudo o que és.
Vou caminhar de pés descalços,
Sem medo, sem pudor,
Até não haver um pedaço de chão,
Nesse teu coração,
Que não conheça o meu amor.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008


...vou contar-te um segredo!
... conta amor...
... sabes que consigo ler na tua voz?
...assim como eu leio nos teus olhos?
...sim, da mesma forma que tu lês os meus olhos...
...então adivinhaste?
...acho que sim!
...huuuummmmm!!! e maissss??

domingo, 6 de janeiro de 2008


Não temas, não chores
porque quando cais do ninho
haverá uma mão, haverá um sorriso
que te afaga as penas, que te dá a tranquilidade
que precisas, te leva até à relva
até às árvores onde o céu é azul
e as minhocas mais gordas
onde aprendes a voar novamente e deixas de ter medo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008


Quem é que já não teve oportunidade de conhecer uma pessoa idosa, enferma, dependente, carente, solitária? Talvez você tenha essa pessoa dentro do seu próprio lar. Uma mãe ou um pai acautelado pela enfermidade ou pelas debilidades impostas pelo peso da idade. Esse alguém, que ontem era forte e dinâmico, agora se movimenta com lentidão e, às vezes, nem se movimenta, tornando-se totalmente dependente da vontade alheia. Se você tem uma mãe, um pai ou outro familiar nessas condições, pare um pouco; olhe nos olhos dessa pessoa e tente ler seus mais secretos pensamentos. Talvez você possa ler em seus olhos tristes ou em seus lábios mudos um apelo comovente, que não tem coragem de verbalizar. É, se pudéssemos ouvir o apelo de um idoso, talvez ele fosse mais ou menos assim: "Você, que está na flor da idade, considere que o despertar da vida é como o amanhecer. Tudo fica mais quente e mais alegre. "Mas o amanhecer não é eterno e a ele se sucedem outras fases do dia... "O meu apelo é para que as crianças de hoje não esqueçam dos seus idosos de amanhã. "É para que os mais jovens relevem a minha mão trémula e meu andar hesitante. Amparem-me por favor. "Se minha audição não é boa e tenho que me esforçar para ouvir o que você está dizendo, tenha compaixão. "Se minha visão é imperfeita e o meu entendimento é escasso, ajude-me com paciência. "Se minhas mãos tremem e derrubam tantas coisas no chão, por favor, não se irrite, tentei fazer o melhor que pude. "Se você me encontrar na rua, não faça de conta que não me viu; pare para conversar comigo; sinto-me tão só. "Se, na sua sensibilidade, me encontrar triste entre tantos que também estão, simplesmente partilhe um sorriso comigo e com eles. Seja solidário, eu necessito apenas de um pouco de carinho. "Se lhe contei pela terceira vez a mesma história, não me repreenda, simplesmente ouça-me. Se não falo coisa com coisa, não caçoe de mim. "Se estou doente e caminhando com dificuldade, não me abandone, preciso de um braço forte que ampare meus passos... "Sabe..., já vivi muitas primaveras, e sinto que o outono derradeiro se aproxima... "Eu sei que o ocaso da vida é como o entardecer. Indica que é chegado o momento de partir... "Por isso lhe peço que me perdoe se tenho medo da morte e ajude-me a aceitar o adeus... "Fique mais tempo comigo... Para me dar segurança... "Os cabelos brancos e as rugas em meu rosto não impedem que eu queira repousar minha cabeça num colo seguro... "Sei que o trem da vida logo irá parar nesta estação, e eu terei que embarcar... "Sei também que terei que ir só, como só desembarquei nesta estação um dia... "Por tudo isso eu lhe peço para que não me negue a sua atenção e o seu carinho. "Logo estarei deixando esta vestimenta surrada pelo tempo, e rumarei para outra dimensão da vida, da vida eterna... "Eis meu apelo... Que pode também ser o seu, logo mais..." O ocaso da vida é como o entardecer... Indica que é chegado o momento de partir... Mas, nem sempre a hora de partir se dá no entardecer... Há aqueles que retornam no mesmo trem que chegam. Há os que se demoram por aqui apenas algumas horas, dias, meses... A única certeza é que todos retornamos um dia para a pátria verdadeira, nesse trem da vida. Por essa razão, vale a pena viver intensamente cada minuto, dando à vida a importância que ela tem. E viver intensamente é enaltecer o tempo, no desenvolvimento das nobres virtudes que o Criador depositou na intimidade de cada filho Seu.