
Se toda a gente recebesse um telefonema nocturno fora de horas uma vez de vez em quando, acho que haveria menos guerras no mundo. Um telefonema nocturno vale mais do que muitos telefonemas. É um telefonema que se faz só a quem se gosta mesmo, que se recebe só de quem se gosta mesmo. Quando toda a gente dorme nas suas camas, cabelos desgrenhados nas almofadas, respiração cadenciada, sonhos ao alto; outros sonhos são discutidos por um pequenino aparelho que, de madrugada, nos liga a um outro acordado da noite. Naquele momento de telefonema nocturno somos as pessoas mais especiais de sempre porque recebemos um telefonema fora de horas, porque estamos acordados e toda a gente dorme já, porque alguém se lembrou de sonhar essa noite connosco. Um telefonema nocturno vale mais do que mil palavras, vale mais do que todos os agradecimentos e pode restabelecer quase qualquer mundo, mesmo este que emudeceu por algumas semanas. Já não sei se o mundo acabou, se surgiu outro que agora se nos apresenta com telefonemas nocturnos, não sei se este é o mundo antigo a tentar redimir-se do susto de me fazer crer que ia acabar. Não sei! Afinal, sei muito pouco para quem queria anunciar o fim do mundo. Sei, isso sim, que um telefonema nocturno inesperado e fora de horas vale o tornar a acreditar que se calhar, apenas se calhar, mesmo quando os mundos acabam, que a vida pode continuar… se calhar é possível fazer melhor… Um telefonema nocturno fora de horas pode tomar várias formas para que o não reconheçamos à partida: pode ser uma visita inesperada, uma conversa com um amigo, uma carta no correio, uma mensagem, um desenho, um rabisco, um e-mail... Este post é um telefonema nocturno fora de horas camuflado. Obrigado a todos os telefonemas nocturnos fora de horas. Que este seja o telefonema nocturno fora de horas de quem quiser ver mais do que um “fim” na história deste mundo porque toda a gente devia ver um nascer do sol acompanhado e ouvir os pássaros lá fora, e eu escolhi a vossa companhia.





